TIC e Educação: essa parceria funciona?

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Primeiramente vamos definir o que é a TIC, que tanto ouvimos falar. Para muitos, TIC é sinônimo de softwares, ou programas de computador, ou ainda, como muitos gostam de chamar, os famosos programinhas para fazer isso ou aquilo.

A TIC pode ser entendida como um conjunto de recursos tecnológicos, que interferem em processos de informação e comunicação, utilizados de forma integrada e com objetivos definidos. Esses recursos são compostos por hardware, software e telecomunicações.

Podemos dizer, portanto, que o software faz parte dos recursos de TIC, mas a TIC, em si, não se limita ao software, sendo um conjunto de ferramentas e tecnologias, que além do software, também engloba o hardware, que é a parte física, assim como, os processos de comunicação.

Juntamente a todos esses recursos, também destacamos o papel da Internet, como uma das principais ferramentas que viabilizam todo esse processo, afinal, seria praticamente impossível pensar em comunicação e informação, nos atuais tempos, se a Internet não existisse.

Agora que você já sabe o que significa TIC, voltamos ao ponto principal dessa discussão, que é a aliança entre TIC e Educação, que vem ganhando espaço e só tende a crescer, cada vez mais.

A informação é a base de qualquer processo de aprendizagem, pois se falamos em aprender, esse ato pressupõe uma informação que deve ser adquirida, significada e, posteriormente, transformada em conhecimento.

Nesse contexto, de informação, significação e conhecimento, vamos embasar nossa fala em alguns dos grandes teóricos da Educação: Vygotsky, Paulo Freire e Ausubel.

Para NEVES e DAMIANI (2006), Vygotsky:

…entendia que a aprendizagem não era uma mera aquisição de informações, não acontecia a partir de uma simples associação de ideias armazenadas na memória, mas era um processo interno, ativo e interpessoal.

Para FERNANDES (2011) apud AUSUBEL, o aluno somente aprende quando ele possui um conhecimento prévio sobre o assunto. Essa premissa é a base da sua teoria da aprendizagem significativa.

Em seu livro Psicologia Educacional, Ausubel é enfático ao afirmar que: “O fator isolado mais importante que influencia o aprendizado é aquilo que o aprendiz já conhece”.  

Para FREIRE, no seu livro Pedagogia do Oprimido, “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”.

A TIC, em si, não é uma ferramenta mágica que resolverá todos os problemas que circundam a Educação, tão pouco será a solução para as questões de aprendizagem,  mas é sim, um importante instrumento para facilitar o processo, uma vez que possibilita ao aluno criar o ambiente propício para a aprendizagem, seja fazendo os links entre os mais diversos assuntos, links esses que, dentro da teoria de Ausubel, serão importantíssimos para que ele aprenda, através das conexões e conhecimentos prévios, seja por estimular a troca e a interação, possibilitando, nas palavras de Freire a educação dos homens pelos homens.

Antes de entrarmos especificamente na aplicação da TIC na Educação, vamos fazer uma breve apresentação da TIC em outras áreas, pois talvez com a exemplificação, seja mais fácil compreender o seu papel protagonista na maioria das áreas do conhecimento.

Imagine, atualmente, uma empresa que precisasse fazer todo o seu controle gerencial, como por exemplo, contas a pagar e a receber, folha de pagamento, controle de estoque e de produção, vendas, emissão de notas, cobranças, relacionamento com clientes,  entre tantos outros controles que são inerentes ao processo de gestão de um negócio, sem o auxílio de todos os recursos computacionais que hoje temos à disposição, como computadores, smartphones, tablets,  softwares de gestão, Internet, recursos de hospedagem e armazenamento de arquivos em nuvem, entre tantos outros que fazem parte do nosso cotidiano.

Isso seria praticamente impossível, você deve estar pensando e eu concordo totalmente com o seu pensamento, pois sim, é impossível pensar numa organização administrativa sem o auxílio de computadores e softwares e todos os recursos que já falamos.

Enfim, creio que você já conseguiu entender aonde quero chegar. A TIC assumiu seu posto no mercado, seja nas áreas da indústria, comércio, prestação de serviços, saúde, entre tantas outras áreas, aliás, fica praticamente impossível pensar numa única área em que a TIC não seja importante, senão, determinante para o sucesso do negócio. Vale ressaltar que, além do posto no mercado, a TIC também ganhou espaço na nossa própria vida, afinal, quem hoje consegue passar um dia inteiro sem nenhum recurso tecnológico? Da espiadinha nas redes sociais ao pagamento de contas pelo Internet Banking, entre as mais diversas atividades da nossa vida, que de tão simples e corriqueiras, muitas vezes nem nos damos conta do espaço que a tecnologia já ocupa em nossas vidas.

Difícil de pensar até que voltamos nossos olhares para a Educação, porque chegaremos a triste constatação de que uma área que é tão delicada e importante, é praticamente uma das poucas que ainda não desfruta de todo o potencial que a tecnologia pode trazer.

A tecnologia de informação é uma área relativamente nova, no entanto, exatamente por ser nova, ela precisa ser estudada, compreendida e, dentro do possível, assimilada.

Uma das dificuldades que encontramos, atualmente, é que a grande maioria dos docentes que hoje atuam em sala de aula, não nasceram na era digital, pelo contrário, tiveram que, ao longo da vida, assimilar uma tecnologia que há alguns anos não existia. Naturalmente, isso gera dúvidas, inseguranças e como tudo que é novo, também gera medo.

Nós abordaremos esses e outros aspectos, com mais profundidade, no próximo capítulo, quando falaremos sobre o novo perfil profissional na área da educação.

Por muito tempo os recursos tecnológicos foram vistos como grandes vilões em sala de aula.  Até o final de 2017, pelo menos no Estado de SP, havia a Lei 12.730, de 11 de outubro de 2007, que proibia o uso dos celulares no ambiente escolar. Essa Lei foi alterada em 07 de novembro de 2017, pela Lei 16.567.

Para SILVA (2004):

E, sem dúvida, na escola que se aprende o real valor do não. A tudo que é novo, desafiador e complexo, se responde com proibições, e o papel do censor é encenado por aqueles que em determinados momentos vestem o manto do poder, ora dos diretores, ora os professores, ora os coordenadores. O proibir torna a prática pedagógica mais “fácil”, descomplexificando assim uma realidade que não simples nem fácil

Quando eu não sei o que fazer com alguma coisa, proibir sempre é o caminho mais fácil e curto, no entanto, também sempre é o que menos dá resultado. As crianças e adolescentes atuais já nasceram imersos no ambiente tecnológico, para eles, usar um celular é tão natural quanto para nós é o ato de andar ou falar.

A proibição pode gerar o efeito contrário, pois precisamos lembrar que estamos falando com adolescentes, que felizmente, afrontam o sistema (e, faço aqui um parêntese, que nunca percam essa capacidade). Se existe uma forma garantida de fazer com que eles usem, essa forma é proibindo.

Por outro lado, proibir o uso da tecnologia seria mais ou menos o equivalente a você estar dentro de um Porsche, mas não poder tocar no volante. Quer dizer, você tem um recurso fantástico, potente, que pode te fazer ir para qualquer lugar, mas você não pode usar.

Não quero, contudo, passar a ideia de que tudo são flores, falando em TIC e Internet, mas é muito mais racional trabalharmos com o bom senso dos alunos, estimulando-os para a utilização adequada e sadia dos recursos, do que simplesmente impedi-los de usar.

No último capítulo desse livro, abordaremos alguns aspectos que inspiram cuidado, quando falamos em Tecnologia, no entanto, isso não quer dizer que não possamos desfrutar das coisas positivas que ela pode nos oferecer.

Além do efeito negativo da proibição, há ainda outro ponto a ser considerado, que é a falta de conhecimento, do próprio docente, para trabalhar com o recurso. Essa falta de conhecimento, como há pouco falamos, pode ser decorrência de múltiplos fatores, como o docente ter nascido antes da tecnologia, portanto, esta não lhe é algo natural e corriqueiro.

Ao também abordar esse aspecto,  SILVA (2004) pondera que “as tecnologias da informação de da comunicação têm sido impostas nas escolas através de decisões oficiais para as quais, sem dúvida, a maior parte dos docentes está despreparada”

O fato do docente não ter nascido na era da tecnologia, por si só, não chega a ser o maior problema, afinal, se tem uma coisa que nenhum professor tem dificuldade é em buscar o conhecimento, no entanto, a vida de muitos docentes não é simples, seja pela sobrecarga de trabalho, baixa remuneração, esgotamento físico e mental, além da falta de políticas públicas voltadas para a qualificação e capacitação. Esses sim, são fatores impactantes e decisivos para o desempenho e domínio do professor em relação as tecnologias existentes.

Me incluo nessa estatística, faço parte de uma geração que nasceu na era analógica, ou seja, antes do surgimento da tecnologia de informação,  que teve que estudar muito e quebrar muitos conceitos e para se encaixar na geração digital.

Apesar da abordagem desse livro não ser voltada somente para as questões de natureza política, fica impossível não falar, em vários momentos, no contexto político, afinal, os assuntos se interconectam.

Aliás, seria desonesto ignorar as questões políticas, uma vez que a falta destas, são grandes responsáveis por muitos dos problemas que hoje os professores enfrentam.

Nosso foco, ao longo dos próximos capítulos, será o de abordar questões mais técnicas, tanto do ponto de vista do docente, discente e tecnológico, pois essa é a proposta principal, no entanto, a parceria TIC e Educação depende diretamente de políticas públicas eficientes, pois do contrário, a tecnologia torna-se apenas mais um fator de excludente, ao possibilitar um conteúdo mais amplo, interessante e estimulante a alguns, ao passo que outros, no sentido oposto, continuarão com os modelos tradicionais de ensino.

 

Tecnologia e Exclusão

 

É importante ressaltar que, por abordarmos aqui o contexto da Tecnologia na Educação, nossa própria abordagem poderá ser excludente em determinadas realidades, pois bem sabemos que não são todas as escolas desse país que possuem acesso aos recursos tecnológicos, sendo que muitas, infelizmente, sequer possuem recursos mínimos para garantir da dignidade tanto de alunos quanto de professores.

Para SORJ (2003):

Como toda inovação social, o impacto da telemática aumenta potencialmente a desigualdade social, já que dela se apropriam inicialmente os setores mais ricos da população. Assim, a luta contra a exclusão digital não é tanto uma luta para diminuir a desigualdade social, mas um esforço para não permitir que a desigualdade cresça ainda mais com as vantagens que os grupos da população com mais recursos e educação podem obter pelo acesso exclusivo a este instrumento.

 

Ao abordarmos a tecnologia, não é possível não abordar a exclusão que ela também causa, por isso, reforçamos a necessidade da adoção de metodologias inclusivas, de práticas que permitam aos alunos, ainda que somente dentro da escola, a terem contato e interação com os meios digitais, do contrário, ao negarmos a ele essa possibilidade, estaremos, de certa forma, contribuindo para aumentar as desigualdades, ao invés de minimizá-las.

Para LIBANEO (2002), “os educadores escolares precisam aprender a pensar e a praticar comunicações midiatizadas como requisito para a formação da cidadania”. Essa fala nos faz refletir ainda mais sobre a importância da inclusão da tecnologia na nossa didática e metodologia, pois elas transcendem a vivência em sala de aula e vão muito além, influenciando a própria formação cidadã dos nossos alunos.

Ainda dentro do contexto da exclusão que a tecnologia pode proporcionar, SILVA (2004) nos proporciona um outro ângulo do problema, nos alertando para o risco da sua não utilização no ambiente escolar, fato esse que pode contribuir para o aumento da exclusão, conforme segue:

Há, sim, a necessidade de que a utilização do computador se propague por todo o sistema escolar, para que a qualidade do ensino não se destine apenas às classes que têm poder aquisitivo para frequentar instituições particulares que já utilizam a informática no desenvolvimento dos seus currículos.

Nenhuma tecnologia, por si só, resolverá qualquer problema, principalmente, quando essa tecnologia for restrita a um conjunto pequeno de pessoas e, infelizmente, por maiores que sejam as estatísticas de uso e aumento da utilização da internet e dos equipamentos de tecnologia, estes ainda não são capazes de atender a classe menos favorecida da sociedade.

Nossas propostas, ao longo dessa narrativa, serão possíveis de serem implementadas mesmo em escolas com poucos recursos, sem grandes custos ou investimentos, no entanto, ainda assim, temos plena ciência de que uma parcela enorme dos alunos ainda será excluída, infelizmente.

Para que a tecnologia, efetivamente, chegue a todos os alunos, muita coisa tem que ser repensada e muitas políticas públicas precisam ser implementadas, mas deixaremos isso para um outro momento, pois essa abordagem não é o foco desse nosso estudo, no entanto, ainda que não seja o foco, também não poderíamos ignorá-lo completamente, motivo pelo qual fizemos uma breve abordagem.

 

Tecnologia e Educação

 

O título desse capítulo é uma pergunta, no qual questiono se a parceria entre TIC e Educação funciona. Vamos agora buscar essa resposta.

Toda parceria envolve incertezas e riscos, isso faz parte de qualquer relacionamento e de qualquer projeto. No entanto, quanto maior a incerteza, ou seja, quanto menos conhecimento eu tiver sobre um determinado assunto, maior é o risco envolvido.

Diante disso, posso dizer que essa é uma parceria que tem tudo para dar certo, que terá sim, alguns percalços, mas que pode dar muito certo, assim como, a parceria entre TIC e Negócios deu certo, entre TIC e Indústria deu certo, entre TIC e Saúde deu certo, assim como vários outros exemplos que poderiam ser citados.

O fato determinante para o êxito dessa relação não está somente nas ferramentas tecnológicas, que por melhor que sejam, continuam sendo ferramentas, inanimadas, incapazes de, por si só, tomar qualquer decisão. Nem tão pouco, depende somente da área educacional, que como qualquer outra área, precisa evoluir. Esse sucesso, em suma, depende do vínculo que se estabelecerá entre esses elementos e na metodologia que será aplicada para uni-los.

Precisamos unir esforços, tanto profissionais da área de Educação, quanto de Tecnologia, para chegarmos juntos a soluções para esse complexo problema educacional em que estamos imersos.

Esses esforços devem ser pautados pela experimentação, pela busca do novo, do desconhecido, pela exploração de novos caminhos e por muitos recomeços, afinal, falhas também vão acontecer, mas todo professor sabe que o erro faz parte do processo de aprendizagem, portanto, nada de desistir, mas sim, persistir sempre!

Como já aconteceu em muitas áreas, a  Educação precisa se adaptar a uma nova realidade, assim como, em dado momento, a indústria também já se adaptou.

No livro Infovias para Educação, Silva (2004) diz que “a escola não é estática, não é imune às mudanças, não consegue estar à margem da sociedade e é nela que imediatamente são refletidas as mudanças sociais”.

Pensando nessa questão, ou seja, sobre as mudanças que acontecem, vamos fazer um exercício e imaginar uma indústria têxtil há 100 anos e uma indústria têxtil da atualidade.

Se você nunca viu, faça uma breve busca pela Internet e poderá constatar que existem diferenças abismais, tanto no que se refere aos maquinários, aos processos e a matéria-prima.

Agora, ainda nessa linha, estabeleça outra comparação mental. Pense numa sala de aula há 100 anos e pense numa sala de aula de agora. O que mudou?

Os móveis podem estar mais modernos, mas continuam sendo bancos e carteiras, o bom e velho quadro negro continua existindo, no máximo, foi substituído por uma lousa digital, o professor continua à frente dos alunos falando, donde se pode concluir que pouca coisa se modificou ao longo desses últimos 100 anos.

Prosseguimos com SILVA (2004):

…as escolas têm em suas salas de aula fileiras de estudantes, sentados lado a lado, ouvindo um professor que é considerado a grande fonte do conhecimento.

Esta estrutura reflete tanto os sistemas de linha de montagem como a mentalidade da revolução industrial que orientou os caminhos de nossa sociedade. A era da informação, a pós-modernidade, exige novos modelos tanto para a sociedade quanto para a educação. Por esta razão, encontramo-nos ante a possibilidade de uma revolução no campo educacional

 

É necessário repensar o processo educativo, é necessário buscar novas metodologias, que realmente sejam inovadoras e que não somente transportem antigas ferramentas para dentro do computador, pois isso já não atende mais aos anseios dessa nova geração, que já nasceu conectada.

O medo da tecnologia não provém dos alunos, mas sim, dos próprios professores. Imagine uma pessoa que tem medo de dirigir ensinando outros a também dirigir. Não vai dar certo, é um fato.

O ensino com auxílio da tecnologia enseja muito mais autonomia e colaboração na realização das atividades, os alunos precisam ser estimulados a pensar nos problemas e a buscar por soluções, não sendo mais somente o agente passivo do processo, aquele que fica sentado recebendo todo o conhecimento, ao contrário, ele se transforma em protagonista do seu próprio processo de aprendizado e, ao falar em protagonismo do aluno, não podemos deixar de citar Paulo Freire, em especial, seu livro  A Pedagogia do Oprimido.

Freire foi um ferrenho crítico do sistema educacional onde o aluno é apenas o sujeito passivo, que recebe os valores e conhecimentos, transmitidos pelos professores. Esse tipo de educação, que ele chamou de educação bancária, é aquela em que os alunos vão recebendo depósitos de conhecimento, acumulando-os ao longo da vida e, na grande maioria das vezes, um acúmulo desprovido de significado real e transformador na vida do aluno. Ainda segundo ele, quanto mais depósitos forem feitos, menos o aluno desenvolverá sua capacidade crítica.

A capacidade crítica é o que possibilita ao aluno a sua inserção no mundo, como sujeito transformador e não apenas um mero ouvinte.

Paulo Freire sempre defendeu que o aluno seja o protagonista do seu aprendizado, pois a passividade, quanto mais imposta, mais tende a levar a uma adaptação do mundo, impedindo a força impulsionadora das mudanças necessárias. Em suma, uma educação passiva nada mais é do que um instrumento de dominação e submissão do oprimido.

Por outro lado, todo esse discurso se torna vazio e sem sentido, se ele não for corretamente estimulado e orientado, pois as ferramentas tecnológicas, ao mesmo tempo que trazem para a tela do celular ou do computador, o mundo todo, também fazem com que esse mesmo mundo se torne um agente de dispersão e, manter o foco, especialmente nessa fase onde os hormônios estão a flor da pele, torna-se uma tarefa impossível.

Cada professor, dentro do seu conteúdo, deverá buscar novas maneiras de passar o conteúdo e se reinventar, pois a profissão docente, como qualquer outra, exige constante atualização e busca por novos métodos.

O que aconteceria se um médico, embora com todo o avanço e conhecimento da medicina atual, continuasse praticando a medicina com os mesmos métodos de séculos atrás?

O mesmo acontece com a atividade docente, sem qualquer diferença. Não dá para hoje, com todo o avanço que temos em nossas mãos, continuar lecionando da mesma forma como fomos ensinados, há décadas, ou pior ainda, como nossos pais, avós e bisavós também foram.

A geração digital gosta de ser estimulada, gosta de ser desafiada, pois a competitividade faz parte da sua personalidade. Naturalmente, não podemos estimular essa competitividade de forma nociva, mas se pudermos utilizar dessa condição para incentivá-lo a buscar cada vez mais conhecimento, por que não fazê-lo?

Inserir tecnologia no processo educacional vai muito além de dar um tablet para cada aluno ou professor, ou ainda, montar grandes laboratórios de informática e fazer deles verdadeiros santuários, intocáveis.

Me lembro de uma breve experiência que tive, numa escola pública, onde havia um laboratório de informática que nunca era utilizado. Certa vez, fui pedir autorização para usar, mas foram tantos os empecilhos colocados que desisti. Literalmente era um santuário, que não deveria ser tocado, mas se é assim, por que foi então montado?

Minha formação de base é na área de tecnologia e sistemas, portanto, naturalmente sou um defensor da tecnologia, mas não porque são “ossos do ofício”, mas sim, porque realmente acredito que ela pode fazer a diferença, que ela pode ser um instrumento maravilhoso, quando bem utilizado.

No entanto, também preciso dizer que não acredito na tecnologia pela tecnologia. Para mim, a tecnologia só faz sentido quando ela torna a vida das pessoas mais simples, quando ela, de alguma forma, transforma essas vidas, do contrário, ela não serviu para nada.

O uso da TIC, como ferramenta, é, sim, desejável, e SILVA (2004) também reforça esse conceito quando afirma que:

A máquina, sozinha, certamente não teria condições de criar uma sociedade onde prevaleçam a liberdade, a responsabilidade e a participação, uma vez que a quantidade não gera necessariamente a qualidade, condição sine qua non para tornar crescente a capacidade de julgar.

A tecnologia é uma ferramenta, assim como o giz e o apagador também são, em escalas diferentes, mas são. Assim como o giz sozinho não faz nada, a tecnologia também não.

A diferença é que a tecnologia possui muito mais recursos do que o giz, mas se não for corretamente utilizada, vira praticamente a mesma coisa.

Um dos papeis da tecnologia na Educação é descentralizar e desburocratizar o acesso ao ensino, pois sendo esse um bem inalienável e um direito fundamental, não pode estar restrito a um pequeno grupo. Naturalmente, essa descentralização não se encerra com a discussão da tecnologia, mas a tecnologia, em si, é uma das ferramentas que podem ser úteis a esse processo.

A tecnologia de informação, por sua própria definição e essência, tem essa missão, que é disseminar a comunicação e a informação, levando o acesso aos locais mais remotos.

Sou um entusiasta do ensino à distância, sempre o defendi, por outro lado, não com os métodos utilizados por muitas instituições, que tão somente, buscam uma forma barata de replicar conteúdo e diminuir o número de professores.

De forma geral, os problemas sempre são os mesmos, ou seja, não é a tecnologia, mas o mau uso que dela se faz.

Quando pensamos na tecnologia para levar conhecimento as pessoas que não possuem a mínima condição de frequentar um ensino regular, isso é algo fantástico, mas esse acesso precisa estar amparado numa metodologia desenvolvida especificamente para esse fim, além de também ter suporte de boas políticas públicas, como o provimento do acesso à Internet, por exemplo, pois, uma vez que a pessoa não tenha condições de frequentar o ensino regular, certamente também não terá meios para manter os recursos tecnológicos necessários para desfrutar do ensino à distância.

Além dos recursos tecnológicos, é necessária uma ruptura com os modelos tradicionais. O professor deixa de ser o agente transmissor do conhecimento, passando a ser um agente facilitador, no entanto, esse aspecto abordaremos com mais profundidade no próximo capítulo.

Fechando esse capítulo inicial, reafirmo, a parceria entre TIC e Educação tem tudo para dar certo e isso depende muito mais de nós do que de qualquer outro fator.

Ao término desse livro, esperamos ter alcançado esse objetivo, que é o de mostrar a você alguns possíveis caminhos a serem percorridos.

Não daremos aqui receitas prontas, até porque, elas não funcionam. Cada aluno é único, cada turma é única e cada professor é único.

Dentro dessas características únicas que todos temos, o desafio é você encontrar o seu melhor, desenvolver o melhor método, de acordo com a sua área de conhecimento, sempre mantendo o foco no melhor processo possível para o aluno.

Essa parceria entre TIC e Educação pode dar muito certo e tudo vai depender da forma como ela for conduzida.

 

 

Esse texto é um capítulo do livro Tecnologia de Informação e Educação – Os Desafios Educacionais na Era Digital.

Para saber mais, acesse a página do livro, clicando aqui

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